quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sintonia pérfida


            Músicas freqüentes
               De freqüência permitida:
Am, Fm
               As melodias sincronizadas
Dão RÉplica aos fugitivos
Trazendo, determinadas,
Uma chance ao sensitivo.
Em silêncio, calam-se
As faces congeladas
Os corações endurecidos
Diante do som apaixonado,
Pelas almas, transmitido.
E em SOL ofuscante,
No calor ardente
Dos desejos gritantes,
O rádio calou
E em tom MIssivo,
Sem DÓ, exclamou
Que do coração inciso
Resta a música derradeira
SInfonia do epitáfio
Saudade traiçoeira

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mão amiga

            Lembro de quando minha mãe me levava aos lugares para que houvesse adaptação. Ela segurava a minha mãozinha, e pronto, os medos se esvaneciam, enquanto a segurança preenchia simultaneamente os espaços onde os mesmos se encontravam. Agora, eu não vou às festas, aos bares ou à primeira aula da faculdade com a minha mãe. Minhas amigas apareceram. Lógico, eu tinha amizades na infância. Todavia, essas faziam parte da singela obrigação de se divertir sem preocupações. Afinal, na ocorrência de qualquer transtorno, a supermãe viria me salvar. Eu cresci, e, junto ao meu crescimento, surgiram dificuldades quanto ao fato de manter relações amigáveis com os indivíduos. Minhas verdadeiras amigas apareceram. As falsas também, infelizmente. Contudo, a franqueza de uma afeição prevaleceu e sobrepujou a mentira. Dizem que a autêntica amizade é aquela que existe desde quando se é criança. A meu ver, não há amizade mais legítima do que aquela cultivada na adolescência. Diante de todos os infortúnios que essa época da vida apresenta, minhas amigas apareceram. A festa começou. Minha mãe soltou a minha mão. Não quis, mas precisava fazê-lo. Eu não queria, mas precisava enfrentar a festa sem ela, porém não sozinha. Encarar uma festa sem companhia é complicado e sufocante. Os caras nojentos e desesperados tentando ficar com alguém a qualquer custo, os ex-namorados querendo ter uma DR no meio daquele fuzuê. Álcool não seria o suficiente para evitar todos os problemas festivos. Mas, para minha felicidade, eu não estive sozinha. Alguém segurou minha mão, e pronto, os medos se esvaneceram, enquanto a segurança preencheu simultaneamente os espaços onde os mesmos se encontravam. Procurei quem era a substituta temporária de minha mãe e encontrei “Somente” minhas Loucas Amigas (nem todos entenderão essa parte, mas faz muito mais sentido do que se pode imaginar).


Ps: O texto é para todas as verdadeiras amigas, mas gostaria de oferecê-lo especialmente a uma delas em homenagem ao aniversário da mesma. Pra ti, loirinha inteligente. Love u :*


quinta-feira, 2 de junho de 2011

O que ninguém vê

               Fui àquela festa para ver, apenas. Objeto direto. Ver. O que? Os olhos, os dentes. A roupa não. Eu nunca olho para a camiseta, a calça ou quaisquer outros acessórios que teu corpo esteja utilizando. Prefiro o que veste tua face. O olhar. O sorriso. O retrato meigo, simpático. A alma tão bela, tão conectada à minha. O motivo pelo qual vim até aqui. Ver-te, apenas. Porque não sou capaz de emitir sons em tua presença. Pois esta faz meu corpo ficar absorto. Dispara o coração. Para o cérebro. Meus membros ignoram os comandos do mesmo. De repente, quando alguém interrompe minha viagem, e percebo que passei muito tempo em transe, observo meu braço levantar involuntariamente e projetar um sinal de tchau para o observado. Eu sei que bíceps, tríceps e Cia não são independentes. Talvez meu hipotálamo tenha liberado a tal da feniletilamina, e esta me fez agir como boba. Talvez nem Dr. House explique. Mas dane-se meu ato imbecil. Eu vi, e isso basta. Vi-te da minha maneira; aquela que ninguém mais te vê. Acabou a festa. Cheguei a minha casa. Vesti o pijama. Não tirei a maquiagem. Deitei. Virei para a esquerda. Posicionei-me confortavelmente. Não consegui dormir. Busquei minha tartaruga. Não consegui dormir. Peguei meu celular. Mensagem enviada. Mensagem recebida. Repetições. (...) Liguei. Atendeste. Fechei os olhos para ver. Ver-te sorrindo. E vai ser sempre assim... 








               Dormi bem. Sonhei com os anjinhos.