quinta-feira, 31 de março de 2011

P.A.


           1 minuto hoje
        59 segundos amanhã
        58 no dia seguinte
        Soma dos termos de uma P.A.
            Progressão Aritmética
            Proposta Arriscada
        Tempo suficiente
            Para Amar,
            Para Acabar.
        Para recomeçar e torná-la crescente, progressiva;
        Desconhecendo seu término.
        Ou para igualar o último termo à zero
        E finalizar o cálculo.
        Esperemos a resposta.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O relógio

  
           Observar e utilizar o tempo exige sabedoria. Como escreveu o extraordinário poeta, Mário Quintana: “... Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...”. O tempo passa. Segundos tornam-se minutos, os quais se transformam em horas, que se convertem em dias. Inicia o belíssimo crepúsculo, com sua mistura de vermelhos e azuis, até que a escuridão toma do céu, e a Lua aparece... Logo, porém, desaparece no alvorecer. O ciclo tedioso dos ponteiros traz consigo o mistério do tempo e, junto a ele, frustrações decorrentes da certeza de que tudo passa. Não há plásticas ou remédios que impedem o envelhecimento, essas apenas dissimulam o que não se quer aceitar. É hilário pensar em uma garota de 17 anos escrevendo sobre o tempo. “Ainda tens uma vida pela frente” – como muitos adultos dizem. De certa forma eles estão corretos, porém tive um passado, cuja maioria das lembranças me fazem querer voltar. Recordações guardam pedaços de um pretérito perfeito e imperfeito, que cresce a cada segundo do relógio. Resta saudade dos bons momentos que tive; Ficar envolta por compras dentro do carrinho de supermercado, vestir minha fantasia de Power Ranger vermelho acreditando poder salvar o mundo, fazer bolhinhas de sabão, viajar com minha turma do colégio. No entanto, desejo sentir o mesmo daqui alguns anos com relação ao atual período de minha história. Quero guardar pedacinhos de todas as épocas da minha vida. Espero envelhecer e contar histórias aos meus netos. Não desejo driblar o tempo, como tantas pessoas tentam inutilmente. Faço do tempo, minha sombra. Pois, só assim, não haverá ultrapassagem. Caminhamos lado a lado, em sintonia. O som dos ponteiros acompanha meu ritmo cardíaco formando uma belíssima melodia. O coração é como um relógio. Movimentos simultâneos e repetitivos... Chega um momento em que para de funcionar. A questão não é quando isso vai acontecer. O relógio lhe foi dado para ser usufruído. Apenas faça bom uso.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A caixinha


As coisas acontecem naturalmente? A vida é rodeada de encontros e desencontros já definidos? Eles são, definitivamente, pré-destinados? Existe um motivo pra cada segundo dessa vida? Ou será que tudo depende, simplesmente, das atitudes dos indivíduos? Será que, no final das contas, esperar não é o segredo da caixinha? Quem sabe moldar meu destino é o próprio destino. Pode ser que eu esteja designada a fazer as coisas acontecerem. Mas, e aí? Como posso saber qual é, realmente, o meu destino? Como sei que devo tomar certas iniciativas? Quando saberei se a linha que separa o romance da ilusão foi ultrapassada? É incrível o número de interrogações que minha mente consegue produzir em torno de um só elemento, apenas uma incerteza irritante e misteriosa. Tantos motivos para deixar esse elemento volátil evaporar, mas só é necessário um minúsculo pretexto para esquecer tudo e continuar tentando. Razão essa, que me torna estupidamente vulnerável. A paixão é como um vírus. Produzem-se anticorpos para que, numa próxima contaminação, o corpo esteja preparado para enfrentar uma invasão do organismo já conhecido. Entretanto, como os vírus, a paixão sofre mutações. Elas são diferentes umas das outras, e isso faz com que nunca estejamos com as armaduras prontas. Lidar com os sentimentos não requer preparo, mas sim, controle. Minha conclusão, após ter passado por muitos casos relativos ao assunto, está vinculada ao fato de manter certa distância do tal ‘vírus’. O segredo da caixinha é seguir as palavras do poeta: ‘viver de superfície’. Para maus entendedores, isso demonstra o que é necessário para não sofrer por alguém, pois é muito fácil se afogar nas profundezas do amor. Para adotar as tais palavras, basta fugir enquanto há tempo. Depois de certos indícios de que o vírus se aproxima, afaste-se. Em torno disso, gira a efetiva profilaxia. Bom, faça o que eu digo, mas não o que eu faço. Mantive-me na superfície durante algum tempo, mas voltei ao fundo. Não que o tratamento tenha falhado, muito pelo contrário. Porém, eu insisto em ser uma romântica tola. Não sei o porquê, mas, apesar dos pesares, eu ainda acredito que existe um destino, que existe alguém pra mim. O problema é que o destino não acontece por si só, é necessário dar chances para ele acontecer. Portanto, não adianta ficar assistindo aos ponteiros do relógio. Viva. Oportunize-se. Dê chances ao destino. Arrisque e esqueça as dúvidas. Mas se no fundo você estiver errado? Quebre a cara, aprenda com os erros e siga em frente. A caixinha guarda segredos que vão além do entendimento humano. A caixinha não precisa de resposta, ela é a resposta.