Eram dois desconhecidos, loucos e corajosos - adjetivos antônimos dos nossos. Talvez tenham sido inventados no subconsciente, todavia, por determinado momento, aquele casal existiu. A consciência ausente permitiu o surgimento desses dois personagens. Eu só me pergunto se eles não passam de figuras pertencentes a um conto imaginário e ilusório, ou se existe a possibilidade de torná-los reais. Talvez, dentro da realidade dura e inflexível, a loucura e a coragem sejam invalidadas diante da sanidade e do medo. Eu desejaria que essa história pudesse ser vivida por inteiro. O olhar, o pensamento, as bocas fantasiosas diante dos beijos telepáticos, o som da respiração, a intensidade disso tudo sentida de forma que não comprometa a realidade, como se os sentimentos fossem transmitidos por microondas. Delírio? Então levante sua mão e mantenha-a alinhada a minha, sem tocá-la. Não há nada acontecendo? Isso só faz parte da minha imaginação? Eu não sei se é totalmente recíproco, ou se você é cego demais para sentir a essência da história. Os personagens querem sair de dentro dos livros adulterados e encapados. Eles são uma versão lírica de nós, e nós somos simplesmente o que devemos ser. A batalha entre o querer e o dever. Eles, ou nós? Não se pode saber o que aconteceria caso os personagens se libertassem. Não se pode ter certeza de tudo. Mas eu te amo e gostaria que estivesses aqui de verdade. Diante das minhas certezas, acredito que a realidade não pode ser feliz sem um pouquinho de fantasia.
Ao som de: Charlie Brown Jr. - Beco sem saída
Ao som de: Charlie Brown Jr. - Beco sem saída

