"Me lembro de sentir uma irresistível vontade de raspar o cabelo. Budisticamente. Me desfazer dos acessórios, dos baixos pintados, das entrevistas inteligentes, dos refrões cantados em coro. Fases. Vão e voltam. Nada é absoluto. Absolutamente nada." - Humberto Gessinger
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Presença inabalável, efeito adorável
Arquivo. Exibir histórico. (Janela). Pesquisar histórico. Bu. (Janela). Susto. Medo. Dúvida. Abrir (?)... Excluir (?)... Enviar para (?)... Editar... Faz-se a suposição: Editar (Y). Complexidade. Por onde começar? Corrigem-se os erros, apaga-se tudo. Modificar o passado traria conseqüências severas. Abrir (Y). Lembranças. As recordações geram saudade, enquanto esta restaura o que se extingue. Enviar para (Y) Não lembrar não significa esquecer, mas é um bom caminho para isso. Se houve extinção, não há mais o que fazer aqui. Excluir (Y). O que ainda faz aqui? Eu mandei você ir embora! Preciso exigir de novo? Então vaza! Depois de tudo o que eu fiz você continua insistindo na permanência. Essa não é minha forma de defesa. Isso se chama autopreservação. Para, para... Quem eu estou tentando enganar? Excluir deveria estar em cinza. Impossível fazê-lo. Conquanto as paixões se apaguem, as cinzas continuam intactas. Ainda existe o fantasminha gélido que passa por aqui e provoca o friozinho na barriga. Salvar (?). Não importa... A sensação é inesquecível. (X) Fechar.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
"TIM TIM"
Acervo aparente
Ampara a sede
Que cede, suavemente.
Doce sal, básico limão;
Mascara o gosto,
Conserva a pressão.
No anseio de provar-se
De ilusão se embriaga
Ah, se a dor atenuasse!
O frenesi afaga
Oh, mente errante
Mergulha no etílico... E se afoga.
No vaivém da onda (a ressaca)
O torpor rompe
(Resseca) o intrínseco.
Apenas um brinde,
Somente um gole;
Desordena aqui dentro
TIM TIM por TIM TIM.
Se beber, não digira.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Pólos
Ontem sim
Hoje não
Amanhã, talvez
Instabilidade
Odeia, ama
Radioatividade
Alfa, beta, gama
Exposição freqüente
Prazo elusivo
Enquanto ele desmente
O dúbio é corrosivo
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Lembre-se
Algumas pessoas necessitam de tempo. Eu precisei dele para resolver alguns assuntos comigo. Mas, infelizmente, o período necessário para uns pode ser longo demais para aqueles que esperam. Eu, paciente, demorei. Ele, apressado, não aguardou. Talvez o problema não fosse a pressa, mas sim a incerteza do que se esperava. Demorei pra perceber que o tempo é uma droga pra quem observa ele passar. Não se pode tentar apressar as coisas, mas aguardar elas acontecerem é pior. Assisti ao filme “Cartas para Julieta” ontem. O conto cinematográfico baseava-se em uma história de amor mal resolvida, a qual demorou 50 anos para se concretizar. Tudo bem que no filme o casal se reencontrou, mas foquemos na vida real. Quem garante que Lorenzo viveria 70 anos? Ou que Sophie encontraria a carta? Eu não acredito na frase: “Se for para ser, será”. Tudo depende das circunstâncias nas quais nos colocamos. Nós não temos controle de tudo, mas nossas atitudes influenciam o mundo a nossa volta. Eu não quero ser impaciente, e não sou. Minha situação inversa atual fez-me enxergar a conjuntura do outro lado, aquele no qual se aguarda. Agora eu sei o que significa estar sufocado de tanto analisar possibilidades. Dizem que quando se fala em amor, o tarde demais não existe. Eu tenho provas contraditórias a isso. O amor pode ser eterno, mas ele, sozinho, não consegue mover moinhos. O destino é lapidado diante das escolhas. Eu escolhi você, mas quando percebi que isso não era o bastante e que eu precisava esperar, tive que mudar de rumo. Talvez um dia ainda não seja tarde demais. Todavia, se for, lembre-se de que embora não haja um final feliz como aqueles hollywoodianos, houve um momento em que nos amamos. E este, apesar de breve, foi intenso o suficiente para eu jamais esquecer.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Nós e eles
Eram dois desconhecidos, loucos e corajosos - adjetivos antônimos dos nossos. Talvez tenham sido inventados no subconsciente, todavia, por determinado momento, aquele casal existiu. A consciência ausente permitiu o surgimento desses dois personagens. Eu só me pergunto se eles não passam de figuras pertencentes a um conto imaginário e ilusório, ou se existe a possibilidade de torná-los reais. Talvez, dentro da realidade dura e inflexível, a loucura e a coragem sejam invalidadas diante da sanidade e do medo. Eu desejaria que essa história pudesse ser vivida por inteiro. O olhar, o pensamento, as bocas fantasiosas diante dos beijos telepáticos, o som da respiração, a intensidade disso tudo sentida de forma que não comprometa a realidade, como se os sentimentos fossem transmitidos por microondas. Delírio? Então levante sua mão e mantenha-a alinhada a minha, sem tocá-la. Não há nada acontecendo? Isso só faz parte da minha imaginação? Eu não sei se é totalmente recíproco, ou se você é cego demais para sentir a essência da história. Os personagens querem sair de dentro dos livros adulterados e encapados. Eles são uma versão lírica de nós, e nós somos simplesmente o que devemos ser. A batalha entre o querer e o dever. Eles, ou nós? Não se pode saber o que aconteceria caso os personagens se libertassem. Não se pode ter certeza de tudo. Mas eu te amo e gostaria que estivesses aqui de verdade. Diante das minhas certezas, acredito que a realidade não pode ser feliz sem um pouquinho de fantasia.
Ao som de: Charlie Brown Jr. - Beco sem saída
Ao som de: Charlie Brown Jr. - Beco sem saída
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Diminutivo
Já que o sono não me atende, decidi vir até você, sabendo que estarias disponível. Olá folha de papel do Word! Aqui estou eu novamente, ocupando todo esse espaço em branco com meus textos toscos sobre sentimentos patéticos. Sei que minhas visitas estão cada vez mais freqüentes e menos produtivas, porém ultimamente estou precisando escrever muito mais do que o normal. Contudo, o fato de produzir uma grande quantidade de textos não significa que a qualidade dos mesmos seja boa. Além do mais, eu escrevo tanto e não digo absolutamente nada. Agora, por exemplo, estou fazendo exatamente isso. Mas dessa vez prometi que não apagaria sequer uma palavra, conquanto o texto seja uma porcaria. Vou seguir os conselhos de um amigo e escreverei sem me importar com quem possa ler essa droga, ou sem querer tornar o texto bonitinho. Meus sentimentos não são assim fofinhos, delicadinhos. De “inho” eles não têm nada! Quando eu sinto de verdade, é com uma imensidão destruidora. Não gosto disso, porém não suporto quem sente pequenininho, medidinho, com medinho. Por trás do “eu te amo”, meu interior grita palavras pejorativas: @#*&()^%#@#*$^%@! Ele só quer avisar que isso tudo é uma bosta e que eu vou me ferrar, mas disso eu já sei. E quer saber a real? Nem ligo! Pelo menos eu não fico nessa repressão ridícula e covarde. Não tenho medo de sofrer. Meu coração é uma bomba atômica. O restante é Hiroshima. Não preciso nem dizer o que acontece depois... Eu estou olhando ali para baixo com vontade de me atirar na piscina de bolinhas. Leia nas entrelinhas. Duas alternativas. Par ou ímpar? Eu perco, e você? Talvez? Como se eu não soubesse a resposta, não é, queridinho?
Ao som de: Engenheiros do Hawaii – Pra ser sincero
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Sintonia pérfida
Músicas freqüentes
De freqüência permitida:
Am, Fm
As melodias sincronizadas
Dão RÉplica aos fugitivos
Trazendo, determinadas,
Uma chance ao sensitivo.
Em silêncio, calam-se
As faces congeladas
Os corações endurecidos
Diante do som apaixonado,
Pelas almas, transmitido.
E em SOL ofuscante,
No calor ardente
Dos desejos gritantes,
O rádio calou
E em tom MIssivo,
Sem DÓ, exclamou
Que do coração inciso
Resta a música derradeira
SInfonia do epitáfio
Saudade traiçoeira
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Mão amiga
Lembro de quando minha mãe me levava aos lugares para que houvesse adaptação. Ela segurava a minha mãozinha, e pronto, os medos se esvaneciam, enquanto a segurança preenchia simultaneamente os espaços onde os mesmos se encontravam. Agora, eu não vou às festas, aos bares ou à primeira aula da faculdade com a minha mãe. Minhas amigas apareceram. Lógico, eu tinha amizades na infância. Todavia, essas faziam parte da singela obrigação de se divertir sem preocupações. Afinal, na ocorrência de qualquer transtorno, a supermãe viria me salvar. Eu cresci, e, junto ao meu crescimento, surgiram dificuldades quanto ao fato de manter relações amigáveis com os indivíduos. Minhas verdadeiras amigas apareceram. As falsas também, infelizmente. Contudo, a franqueza de uma afeição prevaleceu e sobrepujou a mentira. Dizem que a autêntica amizade é aquela que existe desde quando se é criança. A meu ver, não há amizade mais legítima do que aquela cultivada na adolescência. Diante de todos os infortúnios que essa época da vida apresenta, minhas amigas apareceram. A festa começou. Minha mãe soltou a minha mão. Não quis, mas precisava fazê-lo. Eu não queria, mas precisava enfrentar a festa sem ela, porém não sozinha. Encarar uma festa sem companhia é complicado e sufocante. Os caras nojentos e desesperados tentando ficar com alguém a qualquer custo, os ex-namorados querendo ter uma DR no meio daquele fuzuê. Álcool não seria o suficiente para evitar todos os problemas festivos. Mas, para minha felicidade, eu não estive sozinha. Alguém segurou minha mão, e pronto, os medos se esvaneceram, enquanto a segurança preencheu simultaneamente os espaços onde os mesmos se encontravam. Procurei quem era a substituta temporária de minha mãe e encontrei “Somente” minhas Loucas Amigas (nem todos entenderão essa parte, mas faz muito mais sentido do que se pode imaginar).
Ps: O texto é para todas as verdadeiras amigas, mas gostaria de oferecê-lo especialmente a uma delas em homenagem ao aniversário da mesma. Pra ti, loirinha inteligente. Love u :*
quinta-feira, 2 de junho de 2011
O que ninguém vê
Fui àquela festa para ver, apenas. Objeto direto. Ver. O que? Os olhos, os dentes. A roupa não. Eu nunca olho para a camiseta, a calça ou quaisquer outros acessórios que teu corpo esteja utilizando. Prefiro o que veste tua face. O olhar. O sorriso. O retrato meigo, simpático. A alma tão bela, tão conectada à minha. O motivo pelo qual vim até aqui. Ver-te, apenas. Porque não sou capaz de emitir sons em tua presença. Pois esta faz meu corpo ficar absorto. Dispara o coração. Para o cérebro. Meus membros ignoram os comandos do mesmo. De repente, quando alguém interrompe minha viagem, e percebo que passei muito tempo em transe, observo meu braço levantar involuntariamente e projetar um sinal de tchau para o observado. Eu sei que bíceps, tríceps e Cia não são independentes. Talvez meu hipotálamo tenha liberado a tal da feniletilamina, e esta me fez agir como boba. Talvez nem Dr. House explique. Mas dane-se meu ato imbecil. Eu vi, e isso basta. Vi-te da minha maneira; aquela que ninguém mais te vê. Acabou a festa. Cheguei a minha casa. Vesti o pijama. Não tirei a maquiagem. Deitei. Virei para a esquerda. Posicionei-me confortavelmente. Não consegui dormir. Busquei minha tartaruga. Não consegui dormir. Peguei meu celular. Mensagem enviada. Mensagem recebida. Repetições. (...) Liguei. Atendeste. Fechei os olhos para ver. Ver-te sorrindo. E vai ser sempre assim...
Dormi bem. Sonhei com os anjinhos.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Futuro mais que perfeito
Talvez amanhã
Quem sabe daqui alguns anos
Em um tempo verbal
Cuja conjugação se baseia
Em uma pessoa, um número
Primeira do plural
Eu e você
Na eternidade do verbo amar
Formando uma oração subordinada
Na qual tua presença
É complemento da minha felicidade
E elemento inerente
Do meu futuro mais que perfeito
quinta-feira, 19 de maio de 2011
E = μ.Vi.g
Mergulhar fundo? Voar alto? Cadê a proteção? O cilindro de ar comprimido vazio? O pára-quedas furado? Entre mergulhar até me afogar e voar até cair, busco uma alternativa. Prefiro ficar aqui, no chão, segura. “Eureca!” Calcular o empuxo! O líquido deslocado deve ser equivalente ao suportável. O torpor é sereno e inibe a dor. Sim, eu gosto de correr riscos! Mas o arriscado demais, às vezes, é burrice. Acreditar cegamente (,) muitas vezes (,) é tolice. Não vou ignorar as leis da Física. Não, não estou me contradizendo. “A caixinha” continua sendo a resposta, porém as perguntas estão mais complexas. A garotinha que acreditava em contos de fadas cresceu. Não descreu, mas aprendeu a sonhar. A princesa tornou-se amazona. Entregar-se é simples, assim como andar. Anda-se quando se quer chegar a algum lugar. Contudo, o caminho é desconhecido. Pode haver desventuras, desilusões, aventuras, emoções. Não peço uma bola de cristal. Os mistérios são formidáveis. Não quero uma solução, todavia uma fórmula seria útil. Ao menos uma expressão que me fizesse entendê-lo. Não quero ser surpreendida pelas características que eu desconheço. Não quero ver o príncipe se tornar um sapo asqueroso ou uma fera sem coração. É impossível realizar o cálculo sem informações. O número de incertezas não precisa ser necessariamente nulo, entretanto o valor mínimo para o índice de certezas deve ser igual a um. Só preciso saber se por trás de todas essas máscaras não existe um monstro destruidor de corações. É demais pedir isso? É tão incoerente ter medo de me machucar? Eu conheci muitos monstros e sei o que eles são capazes de realizar. As feridas podem cicatrizar, mas o histórico clínico não se apaga. Arquimedes disse: “Dê-me um ponto de apoio e moverei o mundo.”. Eu digo: Receba um ponto de confiança e moverás o meu mundo. Surge o empuxo novamente, agora diferente. Dessa vez ela não é mais indefesa. Encontra-se protegida com as próprias armas. E se o monstro disfarçado surgir, o machucado será ele. Os sentimentos podem pesar demais, mas a força que a mantém estável os controla agora.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Manual de ins...
Início do jogo: Os participantes mantêm determinado contato, seja verbal, visual, virtual.
A primeira rodada: É marcada pela troca de cartas informativas, as quais revelam dados dos jogadores. A partir dela, destacam-se os interesses afins.
...truções
Regras práticas (que de práticas não têm nada): Não deposite todas as cartas na mesa, conserve algumas na manga; As apostas devem ser calculadas; O “All-in” exige segurança; Prepare-se para surpresas (os dados podem conduzir a uma escada ou a um escorregador); Não tente desvendar todos os mistérios (foda-se se foi o Mostarda no Hall com o Punhal); Alguns duelos poderão surgir, mas evite transformá-los em um jogo de “War”; Tente manter-se desiludido (pedir truco pode significar um bom jogo... ou um ótimo blefe); Não meta os pés pelas mãos (se a roleta indicou pé esquerdo no amarelo, faça isso); Mantenha o equilíbrio; Descubra o resto sozinho, porque eu cansei de jogar.
...ubordinações
Regra prática: Não siga as normas, crie-as.
Vencedor: Ganha aquele que souber amar e ser amado.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Incubação
Será que há alguém aspirando a uma mensagem agora? Pois eu desejo enviá-la. Não quero mais ler um bom livro, assistir à Dr. House ou comer chocolate. Cansei de tocar violão. Só gostaria de enviar uma pequena mensagem. Será que há alguém corajoso a fim de me conhecer verdadeiramente? Eu não sou complicada como dizem. Minha complicação é inversamente proporcional à vontade de compreender-me. Não sou muita coisa, mas poderia fazer feliz aquele que arriscasse deixar-me tentar. Meu maior problema é esse complexo de inferioridade, o qual me faz crer no valor nulo de minhas qualidades e no infinito de meus defeitos. Sim, eu sou a culpada. Tenho medo de quem se aproxima. A cardioplaca se mantém anexada dizendo “PERIGO”. Como se eu carregasse uma doença mortal transmissível. Abstrata; Insana; Diferente; Sensível. São características dessa moléstia que possuo de ser demasiadamente eu. Sem escrúpulos, sem limites. Meu mundo não tem vacina, nem receita, muito menos cura. Remédios? Talvez um calmante para aturar minhas loucuras e a irritante paciência excessiva, um antidepressivo para sobreviver às crises de TPM, pois apesar de não me estressar, eu choro pra valer, como uma criança que quebrou o brinquedo novo. E é claro, analgésico nunca é demais. A lucidez ausente resguarda minha alma paradoxal; delicada e rude. Penetrar o esconderijo onde ela se encontra seria irreversível. Caso a placa indicasse “Siga em frente”, os audaciosos viajantes voltariam com seqüelas. Mantenho-me hermética por questão de proteção. Prolonga-se o período de incubação. A placa de perigo continua intacta, com a mensagem de sempre. Realmente espero que haja um indivíduo capaz de contrariar a sinalização... Será que há alguém aspirando a um delicioso café da padaria recém aberta? Pois eu acompanharia.
PS: É mais fácil salvar no rascunho antes que esfrie.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Breve história
- Oi, tudo bem? – perguntou ela sem pensar.
- Tudo ótimo, e contigo? – respondeu ele com entusiasmo.
Naquele momento, sua alma se contorcia dolorosamente a fim de obter a nova forma estabelecida pelo seu corpo. Modificar feições passa a ser um processo simples quando se tenta transfigurar o espírito. Dói. Mentir machuca por dentro; eu sei, ela sabe, nós sabemos a conjugação. Eu minto, ela mente, todos mentimos. Ela fez isso por eles, mais ainda por ele. Este jamais suportaria a verdade. Os sentimentos dela o destruiriam. São demasiado intensos, sinceros, singelos. Por isso, ela finge ser menos o que sente, sentir menos o que realmente é. E isso dói, nós sabemos.
- Também - foi a única palavra que saiu de sua boca seca e trêmula, acompanhada por um sorriso trapaceiro; resposta falsa e dolorosa, todavia necessária.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Analogia
03:03. Nesse exato momento, infinitas coisas acontecem. Para alguns, algo extremamente maravilhoso, como o nascimento de um filho. Para outros, o contrário vem a calhar, como a morte de um ente querido. Entre essas ocorrências, alguém pode estar pensando em mim. Mas não é isso que me faz escrever agora. A cada segundo que passa, cria-se um número ilimitado de acontecimentos. Analisando tais fatos, observa-se que, entre eles, pode existir uma determinada analogia. Da sacada de um prédio, comecei a observar o que estava acontecendo pelos arredores. Pessoas interligadas sem nem ao menos imaginar a existência desse vínculo. É curioso e assustador pensar que a não ocorrência de um minúsculo ato pode provocar imensas mudanças. Por exemplo, um homem sai de casa atrasado, porque seu cachorro fez xixi nos sapatos novos, e vai ao aeroporto. Nesse instante, uma mulher, que acabara de sair de uma loja, volta ao lugar para pegar a chave do carro que havia esquecido. Após recuperar o objeto, retorna ao carro e resolve ir a uma lanchonete, pois a empregada ficou doente e não fez o seu café. Nisso, o homem, com medo de perder o vôo, não vê o sinal vermelho e ultrapassa o semáforo em alta velocidade, colidindo com o automóvel da mulher. Caso o cachorro não tivesse urinado, se a mulher não tivesse esquecido a chave na loja, ou, ainda, se a empregada não tivesse faltado o trabalho, a tragédia não teria acontecido. Isso me faz crer que, de certa forma, as pessoas estão conectadas. Quem ou o que estabelece essa conexão é resultado da crença de cada um. Contudo, a existência de um ser pensante, capaz de controlar todos esses acontecimentos, é inquestionável, do meu ponto de vista. Nós não fazemos as coisas acontecerem. Elas são resultados das circunstâncias conseqüentes de um conjunto de nossos atos. Os eventos são relativos às escolhas e decisões de cada um, mas não conseqüências diretas das mesmas. O que torna o ambiente suscetível para provocar determinados acontecimentos, são as situações decorridas de infinitas atitudes de vários indivíduos; o homem, a mulher, a empregada e o cachorro. A partir daí, surge a ideia de que nada é por acaso e que tudo acontece por alguma razão. A probabilidade de certos momentos existirem é tão pequena, que torna essa teoria aceitável. Imagine um experimento aleatório cujos elementos são os personagens da história anterior. Agora tente imaginar a possibilidade de acontecer todos os eventos necessários para que a tragédia ocorra. Acho que seria necessária uma calculadora... Sem querer menosprezar seus dotes matemáticos. Contudo, pode-se concluir, sem o auxílio da mesma, que as chances de todos os eventos fazerem parte de uma analogia são muito pequenas. Para alguns, são meras coincidências. Para mim, a matemática diz tudo. 04:12. Nesse exato momento, infinitas coisas acontecem. Nada que não deveria estar acontecendo...
quinta-feira, 31 de março de 2011
P.A.

1 minuto hoje
59 segundos amanhã
58 no dia seguinte
Soma dos termos de uma P.A.
Progressão Aritmética
Proposta Arriscada
Tempo suficiente
Para Amar,
Para Acabar.
Para recomeçar e torná-la crescente, progressiva;
Desconhecendo seu término.
Ou para igualar o último termo à zero
E finalizar o cálculo.
Esperemos a resposta.
quinta-feira, 24 de março de 2011
O relógio
Observar e utilizar o tempo exige sabedoria. Como escreveu o extraordinário poeta, Mário Quintana: “... Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...”. O tempo passa. Segundos tornam-se minutos, os quais se transformam em horas, que se convertem em dias. Inicia o belíssimo crepúsculo, com sua mistura de vermelhos e azuis, até que a escuridão toma do céu, e a Lua aparece... Logo, porém, desaparece no alvorecer. O ciclo tedioso dos ponteiros traz consigo o mistério do tempo e, junto a ele, frustrações decorrentes da certeza de que tudo passa. Não há plásticas ou remédios que impedem o envelhecimento, essas apenas dissimulam o que não se quer aceitar. É hilário pensar em uma garota de 17 anos escrevendo sobre o tempo. “Ainda tens uma vida pela frente” – como muitos adultos dizem. De certa forma eles estão corretos, porém tive um passado, cuja maioria das lembranças me fazem querer voltar. Recordações guardam pedaços de um pretérito perfeito e imperfeito, que cresce a cada segundo do relógio. Resta saudade dos bons momentos que tive; Ficar envolta por compras dentro do carrinho de supermercado, vestir minha fantasia de Power Ranger vermelho acreditando poder salvar o mundo, fazer bolhinhas de sabão, viajar com minha turma do colégio. No entanto, desejo sentir o mesmo daqui alguns anos com relação ao atual período de minha história. Quero guardar pedacinhos de todas as épocas da minha vida. Espero envelhecer e contar histórias aos meus netos. Não desejo driblar o tempo, como tantas pessoas tentam inutilmente. Faço do tempo, minha sombra. Pois, só assim, não haverá ultrapassagem. Caminhamos lado a lado, em sintonia. O som dos ponteiros acompanha meu ritmo cardíaco formando uma belíssima melodia. O coração é como um relógio. Movimentos simultâneos e repetitivos... Chega um momento em que para de funcionar. A questão não é quando isso vai acontecer. O relógio lhe foi dado para ser usufruído. Apenas faça bom uso.
quinta-feira, 17 de março de 2011
A caixinha
As coisas acontecem naturalmente? A vida é rodeada de encontros e desencontros já definidos? Eles são, definitivamente, pré-destinados? Existe um motivo pra cada segundo dessa vida? Ou será que tudo depende, simplesmente, das atitudes dos indivíduos? Será que, no final das contas, esperar não é o segredo da caixinha? Quem sabe moldar meu destino é o próprio destino. Pode ser que eu esteja designada a fazer as coisas acontecerem. Mas, e aí? Como posso saber qual é, realmente, o meu destino? Como sei que devo tomar certas iniciativas? Quando saberei se a linha que separa o romance da ilusão foi ultrapassada? É incrível o número de interrogações que minha mente consegue produzir em torno de um só elemento, apenas uma incerteza irritante e misteriosa. Tantos motivos para deixar esse elemento volátil evaporar, mas só é necessário um minúsculo pretexto para esquecer tudo e continuar tentando. Razão essa, que me torna estupidamente vulnerável. A paixão é como um vírus. Produzem-se anticorpos para que, numa próxima contaminação, o corpo esteja preparado para enfrentar uma invasão do organismo já conhecido. Entretanto, como os vírus, a paixão sofre mutações. Elas são diferentes umas das outras, e isso faz com que nunca estejamos com as armaduras prontas. Lidar com os sentimentos não requer preparo, mas sim, controle. Minha conclusão, após ter passado por muitos casos relativos ao assunto, está vinculada ao fato de manter certa distância do tal ‘vírus’. O segredo da caixinha é seguir as palavras do poeta: ‘viver de superfície’. Para maus entendedores, isso demonstra o que é necessário para não sofrer por alguém, pois é muito fácil se afogar nas profundezas do amor. Para adotar as tais palavras, basta fugir enquanto há tempo. Depois de certos indícios de que o vírus se aproxima, afaste-se. Em torno disso, gira a efetiva profilaxia. Bom, faça o que eu digo, mas não o que eu faço. Mantive-me na superfície durante algum tempo, mas voltei ao fundo. Não que o tratamento tenha falhado, muito pelo contrário. Porém, eu insisto em ser uma romântica tola. Não sei o porquê, mas, apesar dos pesares, eu ainda acredito que existe um destino, que existe alguém pra mim. O problema é que o destino não acontece por si só, é necessário dar chances para ele acontecer. Portanto, não adianta ficar assistindo aos ponteiros do relógio. Viva. Oportunize-se. Dê chances ao destino. Arrisque e esqueça as dúvidas. Mas se no fundo você estiver errado? Quebre a cara, aprenda com os erros e siga em frente. A caixinha guarda segredos que vão além do entendimento humano. A caixinha não precisa de resposta, ela é a resposta.
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