Algumas pessoas necessitam de tempo. Eu precisei dele para resolver alguns assuntos comigo. Mas, infelizmente, o período necessário para uns pode ser longo demais para aqueles que esperam. Eu, paciente, demorei. Ele, apressado, não aguardou. Talvez o problema não fosse a pressa, mas sim a incerteza do que se esperava. Demorei pra perceber que o tempo é uma droga pra quem observa ele passar. Não se pode tentar apressar as coisas, mas aguardar elas acontecerem é pior. Assisti ao filme “Cartas para Julieta” ontem. O conto cinematográfico baseava-se em uma história de amor mal resolvida, a qual demorou 50 anos para se concretizar. Tudo bem que no filme o casal se reencontrou, mas foquemos na vida real. Quem garante que Lorenzo viveria 70 anos? Ou que Sophie encontraria a carta? Eu não acredito na frase: “Se for para ser, será”. Tudo depende das circunstâncias nas quais nos colocamos. Nós não temos controle de tudo, mas nossas atitudes influenciam o mundo a nossa volta. Eu não quero ser impaciente, e não sou. Minha situação inversa atual fez-me enxergar a conjuntura do outro lado, aquele no qual se aguarda. Agora eu sei o que significa estar sufocado de tanto analisar possibilidades. Dizem que quando se fala em amor, o tarde demais não existe. Eu tenho provas contraditórias a isso. O amor pode ser eterno, mas ele, sozinho, não consegue mover moinhos. O destino é lapidado diante das escolhas. Eu escolhi você, mas quando percebi que isso não era o bastante e que eu precisava esperar, tive que mudar de rumo. Talvez um dia ainda não seja tarde demais. Todavia, se for, lembre-se de que embora não haja um final feliz como aqueles hollywoodianos, houve um momento em que nos amamos. E este, apesar de breve, foi intenso o suficiente para eu jamais esquecer.





