quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Lembre-se

Algumas pessoas necessitam de tempo. Eu precisei dele para resolver alguns assuntos comigo. Mas, infelizmente, o período necessário para uns pode ser longo demais para aqueles que esperam. Eu, paciente, demorei. Ele, apressado, não aguardou. Talvez o problema não fosse a pressa, mas sim a incerteza do que se esperava. Demorei pra perceber que o tempo é uma droga pra quem observa ele passar. Não se pode tentar apressar as coisas, mas aguardar elas acontecerem é pior. Assisti ao filme “Cartas para Julieta” ontem. O conto cinematográfico baseava-se em uma história de amor mal resolvida, a qual demorou 50 anos para se concretizar. Tudo bem que no filme o casal se reencontrou, mas foquemos na vida real. Quem garante que Lorenzo viveria 70 anos? Ou que Sophie encontraria a carta? Eu não acredito na frase: “Se for para ser, será”. Tudo depende das circunstâncias nas quais nos colocamos. Nós não temos controle de tudo, mas nossas atitudes influenciam o mundo a nossa volta. Eu não quero ser impaciente, e não sou. Minha situação inversa atual fez-me enxergar a conjuntura do outro lado, aquele no qual se aguarda. Agora eu sei o que significa estar sufocado de tanto analisar possibilidades. Dizem que quando se fala em amor, o tarde demais não existe. Eu tenho provas contraditórias a isso. O amor pode ser eterno, mas ele, sozinho, não consegue mover moinhos. O destino é lapidado diante das escolhas. Eu escolhi você, mas quando percebi que isso não era o bastante e que eu precisava esperar, tive que mudar de rumo. Talvez um dia ainda não seja tarde demais. Todavia, se for, lembre-se de que embora não haja um final feliz como aqueles hollywoodianos, houve um momento em que nos amamos. E este, apesar de breve, foi intenso o suficiente para eu jamais esquecer.


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Nós e eles


Eram dois desconhecidos, loucos e corajosos - adjetivos antônimos dos nossos. Talvez tenham sido inventados no subconsciente, todavia, por determinado momento, aquele casal existiu. A consciência ausente permitiu o surgimento desses dois personagens. Eu só me pergunto se eles não passam de figuras pertencentes a um conto imaginário e ilusório, ou se existe a possibilidade de torná-los reais. Talvez, dentro da realidade dura e inflexível, a loucura e a coragem sejam invalidadas diante da sanidade e do medo. Eu desejaria que essa história pudesse ser vivida por inteiro. O olhar, o pensamento, as bocas fantasiosas diante dos beijos telepáticos, o som da respiração, a intensidade disso tudo sentida de forma que não comprometa a realidade, como se os sentimentos fossem transmitidos por microondas. Delírio? Então levante sua mão e mantenha-a alinhada a minha, sem tocá-la. Não há nada acontecendo? Isso só faz parte da minha imaginação? Eu não sei se é totalmente recíproco, ou se você é cego demais para sentir a essência da história. Os personagens querem sair de dentro dos livros adulterados e encapados. Eles são uma versão lírica de nós, e nós somos simplesmente o que devemos ser. A batalha entre o querer e o dever. Eles, ou nós? Não se pode saber o que aconteceria caso os personagens se libertassem. Não se pode ter certeza de tudo. Mas eu te amo e gostaria que estivesses aqui de verdade. Diante das minhas certezas, acredito que a realidade não pode ser feliz sem um pouquinho de fantasia.







Ao som de: Charlie Brown Jr. - Beco sem saída

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Diminutivo

                Já que o sono não me atende, decidi vir até você, sabendo que estarias disponível. Olá folha de papel do Word! Aqui estou eu novamente, ocupando todo esse espaço em branco com meus textos toscos sobre sentimentos patéticos. Sei que minhas visitas estão cada vez mais freqüentes e menos produtivas, porém ultimamente estou precisando escrever muito mais do que o normal. Contudo, o fato de produzir uma grande quantidade de textos não significa que a qualidade dos mesmos seja boa. Além do mais, eu escrevo tanto e não digo absolutamente nada. Agora, por exemplo, estou fazendo exatamente isso. Mas dessa vez prometi que não apagaria sequer uma palavra, conquanto o texto seja uma porcaria. Vou seguir os conselhos de um amigo e escreverei sem me importar com quem possa ler essa droga, ou sem querer tornar o texto bonitinho. Meus sentimentos não são assim fofinhos, delicadinhos. De “inho” eles não têm nada! Quando eu sinto de verdade, é com uma imensidão destruidora. Não gosto disso, porém não suporto quem sente pequenininho, medidinho, com medinho. Por trás do “eu te amo”, meu interior grita palavras pejorativas: @#*&()^%#@#*$^%@! Ele só quer avisar que isso tudo é uma bosta e que eu vou me ferrar, mas disso eu já sei. E quer saber a real? Nem ligo! Pelo menos eu não fico nessa repressão ridícula e covarde. Não tenho medo de sofrer. Meu coração é uma bomba atômica. O restante é Hiroshima. Não preciso nem dizer o que acontece depois... Eu estou olhando ali para baixo com vontade de me atirar na piscina de bolinhas. Leia nas entrelinhas. Duas alternativas. Par ou ímpar? Eu perco, e você? Talvez? Como se eu não soubesse a resposta, não é, queridinho?








Ao som de: Engenheiros do Hawaii – Pra ser sincero

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sintonia pérfida


            Músicas freqüentes
               De freqüência permitida:
Am, Fm
               As melodias sincronizadas
Dão RÉplica aos fugitivos
Trazendo, determinadas,
Uma chance ao sensitivo.
Em silêncio, calam-se
As faces congeladas
Os corações endurecidos
Diante do som apaixonado,
Pelas almas, transmitido.
E em SOL ofuscante,
No calor ardente
Dos desejos gritantes,
O rádio calou
E em tom MIssivo,
Sem DÓ, exclamou
Que do coração inciso
Resta a música derradeira
SInfonia do epitáfio
Saudade traiçoeira

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mão amiga

            Lembro de quando minha mãe me levava aos lugares para que houvesse adaptação. Ela segurava a minha mãozinha, e pronto, os medos se esvaneciam, enquanto a segurança preenchia simultaneamente os espaços onde os mesmos se encontravam. Agora, eu não vou às festas, aos bares ou à primeira aula da faculdade com a minha mãe. Minhas amigas apareceram. Lógico, eu tinha amizades na infância. Todavia, essas faziam parte da singela obrigação de se divertir sem preocupações. Afinal, na ocorrência de qualquer transtorno, a supermãe viria me salvar. Eu cresci, e, junto ao meu crescimento, surgiram dificuldades quanto ao fato de manter relações amigáveis com os indivíduos. Minhas verdadeiras amigas apareceram. As falsas também, infelizmente. Contudo, a franqueza de uma afeição prevaleceu e sobrepujou a mentira. Dizem que a autêntica amizade é aquela que existe desde quando se é criança. A meu ver, não há amizade mais legítima do que aquela cultivada na adolescência. Diante de todos os infortúnios que essa época da vida apresenta, minhas amigas apareceram. A festa começou. Minha mãe soltou a minha mão. Não quis, mas precisava fazê-lo. Eu não queria, mas precisava enfrentar a festa sem ela, porém não sozinha. Encarar uma festa sem companhia é complicado e sufocante. Os caras nojentos e desesperados tentando ficar com alguém a qualquer custo, os ex-namorados querendo ter uma DR no meio daquele fuzuê. Álcool não seria o suficiente para evitar todos os problemas festivos. Mas, para minha felicidade, eu não estive sozinha. Alguém segurou minha mão, e pronto, os medos se esvaneceram, enquanto a segurança preencheu simultaneamente os espaços onde os mesmos se encontravam. Procurei quem era a substituta temporária de minha mãe e encontrei “Somente” minhas Loucas Amigas (nem todos entenderão essa parte, mas faz muito mais sentido do que se pode imaginar).


Ps: O texto é para todas as verdadeiras amigas, mas gostaria de oferecê-lo especialmente a uma delas em homenagem ao aniversário da mesma. Pra ti, loirinha inteligente. Love u :*


quinta-feira, 2 de junho de 2011

O que ninguém vê

               Fui àquela festa para ver, apenas. Objeto direto. Ver. O que? Os olhos, os dentes. A roupa não. Eu nunca olho para a camiseta, a calça ou quaisquer outros acessórios que teu corpo esteja utilizando. Prefiro o que veste tua face. O olhar. O sorriso. O retrato meigo, simpático. A alma tão bela, tão conectada à minha. O motivo pelo qual vim até aqui. Ver-te, apenas. Porque não sou capaz de emitir sons em tua presença. Pois esta faz meu corpo ficar absorto. Dispara o coração. Para o cérebro. Meus membros ignoram os comandos do mesmo. De repente, quando alguém interrompe minha viagem, e percebo que passei muito tempo em transe, observo meu braço levantar involuntariamente e projetar um sinal de tchau para o observado. Eu sei que bíceps, tríceps e Cia não são independentes. Talvez meu hipotálamo tenha liberado a tal da feniletilamina, e esta me fez agir como boba. Talvez nem Dr. House explique. Mas dane-se meu ato imbecil. Eu vi, e isso basta. Vi-te da minha maneira; aquela que ninguém mais te vê. Acabou a festa. Cheguei a minha casa. Vesti o pijama. Não tirei a maquiagem. Deitei. Virei para a esquerda. Posicionei-me confortavelmente. Não consegui dormir. Busquei minha tartaruga. Não consegui dormir. Peguei meu celular. Mensagem enviada. Mensagem recebida. Repetições. (...) Liguei. Atendeste. Fechei os olhos para ver. Ver-te sorrindo. E vai ser sempre assim... 








               Dormi bem. Sonhei com os anjinhos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Futuro mais que perfeito


            Talvez amanhã
            Quem sabe daqui alguns anos
            Em um tempo verbal
            Cuja conjugação se baseia
            Em uma pessoa, um número
            Primeira do plural
            Eu e você
            Na eternidade do verbo amar
            Formando uma oração subordinada
            Na qual tua presença
            É complemento da minha felicidade
            E elemento inerente
Do meu futuro mais que perfeito