quinta-feira, 28 de abril de 2011

Incubação

            Será que há alguém aspirando a uma mensagem agora? Pois eu desejo enviá-la. Não quero mais ler um bom livro, assistir à Dr. House ou comer chocolate. Cansei de tocar violão. Só gostaria de enviar uma pequena mensagem. Será que há alguém corajoso a fim de me conhecer verdadeiramente? Eu não sou complicada como dizem. Minha complicação é inversamente proporcional à vontade de compreender-me. Não sou muita coisa, mas poderia fazer feliz aquele que arriscasse deixar-me tentar. Meu maior problema é esse complexo de inferioridade, o qual me faz crer no valor nulo de minhas qualidades e no infinito de meus defeitos. Sim, eu sou a culpada. Tenho medo de quem se aproxima. A cardioplaca se mantém anexada dizendo “PERIGO”. Como se eu carregasse uma doença mortal transmissível. Abstrata; Insana; Diferente; Sensível. São características dessa moléstia que possuo de ser demasiadamente eu. Sem escrúpulos, sem limites. Meu mundo não tem vacina, nem receita, muito menos cura. Remédios? Talvez um calmante para aturar minhas loucuras e a irritante paciência excessiva, um antidepressivo para sobreviver às crises de TPM, pois apesar de não me estressar, eu choro pra valer, como uma criança que quebrou o brinquedo novo. E é claro, analgésico nunca é demais. A lucidez ausente resguarda minha alma paradoxal; delicada e rude. Penetrar o esconderijo onde ela se encontra seria irreversível. Caso a placa indicasse “Siga em frente”, os audaciosos viajantes voltariam com seqüelas. Mantenho-me hermética por questão de proteção. Prolonga-se o período de incubação. A placa de perigo continua intacta, com a mensagem de sempre. Realmente espero que haja um indivíduo capaz de contrariar a sinalização... Será que há alguém aspirando a um delicioso café da padaria recém aberta? Pois eu acompanharia.






PS: É mais fácil salvar no rascunho antes que esfrie.

Um comentário:

  1. Na minha opinião, a única pessoa com quem vale a pena se relacionar é aquela que entra no nosso âmago sem medo de se/nos machucar porque ela ta desesperada e obcecada demais pra frear a vontade de nos descobrir.

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