Observar e utilizar o tempo exige sabedoria. Como escreveu o extraordinário poeta, Mário Quintana: “... Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...”. O tempo passa. Segundos tornam-se minutos, os quais se transformam em horas, que se convertem em dias. Inicia o belíssimo crepúsculo, com sua mistura de vermelhos e azuis, até que a escuridão toma do céu, e a Lua aparece... Logo, porém, desaparece no alvorecer. O ciclo tedioso dos ponteiros traz consigo o mistério do tempo e, junto a ele, frustrações decorrentes da certeza de que tudo passa. Não há plásticas ou remédios que impedem o envelhecimento, essas apenas dissimulam o que não se quer aceitar. É hilário pensar em uma garota de 17 anos escrevendo sobre o tempo. “Ainda tens uma vida pela frente” – como muitos adultos dizem. De certa forma eles estão corretos, porém tive um passado, cuja maioria das lembranças me fazem querer voltar. Recordações guardam pedaços de um pretérito perfeito e imperfeito, que cresce a cada segundo do relógio. Resta saudade dos bons momentos que tive; Ficar envolta por compras dentro do carrinho de supermercado, vestir minha fantasia de Power Ranger vermelho acreditando poder salvar o mundo, fazer bolhinhas de sabão, viajar com minha turma do colégio. No entanto, desejo sentir o mesmo daqui alguns anos com relação ao atual período de minha história. Quero guardar pedacinhos de todas as épocas da minha vida. Espero envelhecer e contar histórias aos meus netos. Não desejo driblar o tempo, como tantas pessoas tentam inutilmente. Faço do tempo, minha sombra. Pois, só assim, não haverá ultrapassagem. Caminhamos lado a lado, em sintonia. O som dos ponteiros acompanha meu ritmo cardíaco formando uma belíssima melodia. O coração é como um relógio. Movimentos simultâneos e repetitivos... Chega um momento em que para de funcionar. A questão não é quando isso vai acontecer. O relógio lhe foi dado para ser usufruído. Apenas faça bom uso.
Eu acredito que coisas como amor, tempo, vida, são percepções das pessoas. A percepção que tu tem do tempo, é o que o tempo é. É isso que importa, e não o que outra pessoa ou idéia disse sobre o tempo. Foda-se! O tempo é aquilo que eu acho, aquilo que eu enxergo sobre o tempo. E que se fodam também as pessoas que dizem que eu tenho uma vida pela frente ou sei lá o que elas realmente querem dizer com isso. Porque a minha vida acontece diante dos meus olhos e quando eles se fecharem, nenhuma idéia ou teoria alheia vai importar, só o que eu vi vai importar. E ponto.
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