As coisas acontecem naturalmente? A vida é rodeada de encontros e desencontros já definidos? Eles são, definitivamente, pré-destinados? Existe um motivo pra cada segundo dessa vida? Ou será que tudo depende, simplesmente, das atitudes dos indivíduos? Será que, no final das contas, esperar não é o segredo da caixinha? Quem sabe moldar meu destino é o próprio destino. Pode ser que eu esteja designada a fazer as coisas acontecerem. Mas, e aí? Como posso saber qual é, realmente, o meu destino? Como sei que devo tomar certas iniciativas? Quando saberei se a linha que separa o romance da ilusão foi ultrapassada? É incrível o número de interrogações que minha mente consegue produzir em torno de um só elemento, apenas uma incerteza irritante e misteriosa. Tantos motivos para deixar esse elemento volátil evaporar, mas só é necessário um minúsculo pretexto para esquecer tudo e continuar tentando. Razão essa, que me torna estupidamente vulnerável. A paixão é como um vírus. Produzem-se anticorpos para que, numa próxima contaminação, o corpo esteja preparado para enfrentar uma invasão do organismo já conhecido. Entretanto, como os vírus, a paixão sofre mutações. Elas são diferentes umas das outras, e isso faz com que nunca estejamos com as armaduras prontas. Lidar com os sentimentos não requer preparo, mas sim, controle. Minha conclusão, após ter passado por muitos casos relativos ao assunto, está vinculada ao fato de manter certa distância do tal ‘vírus’. O segredo da caixinha é seguir as palavras do poeta: ‘viver de superfície’. Para maus entendedores, isso demonstra o que é necessário para não sofrer por alguém, pois é muito fácil se afogar nas profundezas do amor. Para adotar as tais palavras, basta fugir enquanto há tempo. Depois de certos indícios de que o vírus se aproxima, afaste-se. Em torno disso, gira a efetiva profilaxia. Bom, faça o que eu digo, mas não o que eu faço. Mantive-me na superfície durante algum tempo, mas voltei ao fundo. Não que o tratamento tenha falhado, muito pelo contrário. Porém, eu insisto em ser uma romântica tola. Não sei o porquê, mas, apesar dos pesares, eu ainda acredito que existe um destino, que existe alguém pra mim. O problema é que o destino não acontece por si só, é necessário dar chances para ele acontecer. Portanto, não adianta ficar assistindo aos ponteiros do relógio. Viva. Oportunize-se. Dê chances ao destino. Arrisque e esqueça as dúvidas. Mas se no fundo você estiver errado? Quebre a cara, aprenda com os erros e siga em frente. A caixinha guarda segredos que vão além do entendimento humano. A caixinha não precisa de resposta, ela é a resposta.

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