03:03. Nesse exato momento, infinitas coisas acontecem. Para alguns, algo extremamente maravilhoso, como o nascimento de um filho. Para outros, o contrário vem a calhar, como a morte de um ente querido. Entre essas ocorrências, alguém pode estar pensando em mim. Mas não é isso que me faz escrever agora. A cada segundo que passa, cria-se um número ilimitado de acontecimentos. Analisando tais fatos, observa-se que, entre eles, pode existir uma determinada analogia. Da sacada de um prédio, comecei a observar o que estava acontecendo pelos arredores. Pessoas interligadas sem nem ao menos imaginar a existência desse vínculo. É curioso e assustador pensar que a não ocorrência de um minúsculo ato pode provocar imensas mudanças. Por exemplo, um homem sai de casa atrasado, porque seu cachorro fez xixi nos sapatos novos, e vai ao aeroporto. Nesse instante, uma mulher, que acabara de sair de uma loja, volta ao lugar para pegar a chave do carro que havia esquecido. Após recuperar o objeto, retorna ao carro e resolve ir a uma lanchonete, pois a empregada ficou doente e não fez o seu café. Nisso, o homem, com medo de perder o vôo, não vê o sinal vermelho e ultrapassa o semáforo em alta velocidade, colidindo com o automóvel da mulher. Caso o cachorro não tivesse urinado, se a mulher não tivesse esquecido a chave na loja, ou, ainda, se a empregada não tivesse faltado o trabalho, a tragédia não teria acontecido. Isso me faz crer que, de certa forma, as pessoas estão conectadas. Quem ou o que estabelece essa conexão é resultado da crença de cada um. Contudo, a existência de um ser pensante, capaz de controlar todos esses acontecimentos, é inquestionável, do meu ponto de vista. Nós não fazemos as coisas acontecerem. Elas são resultados das circunstâncias conseqüentes de um conjunto de nossos atos. Os eventos são relativos às escolhas e decisões de cada um, mas não conseqüências diretas das mesmas. O que torna o ambiente suscetível para provocar determinados acontecimentos, são as situações decorridas de infinitas atitudes de vários indivíduos; o homem, a mulher, a empregada e o cachorro. A partir daí, surge a ideia de que nada é por acaso e que tudo acontece por alguma razão. A probabilidade de certos momentos existirem é tão pequena, que torna essa teoria aceitável. Imagine um experimento aleatório cujos elementos são os personagens da história anterior. Agora tente imaginar a possibilidade de acontecer todos os eventos necessários para que a tragédia ocorra. Acho que seria necessária uma calculadora... Sem querer menosprezar seus dotes matemáticos. Contudo, pode-se concluir, sem o auxílio da mesma, que as chances de todos os eventos fazerem parte de uma analogia são muito pequenas. Para alguns, são meras coincidências. Para mim, a matemática diz tudo. 04:12. Nesse exato momento, infinitas coisas acontecem. Nada que não deveria estar acontecendo...

Foca em quem és, no que queres, e depois é só jogar a calculadora no lixo.
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